quinta-feira, 3 de maio de 2012

UMA CASA ABERTA PARA O VERDE

Parte 2 - Hall de entrada e Lavabo
"Não existe milagre, existe talento e trabalho duro"
Arthur Casas, arquiteto e designer de interiores
ANTES
Problema: Na minha opinião, hall de entrada precisar ser tchan! Provocar uma certa sensação nos visitantes e dar uma ideia do que ele vai encontrar pela frente. Nesta casa em Jundiaí, o maior problema era que, apesar da boa arquitetura, faltava cor, sabor e textura. Estava sem sal, insosso.

DEPOIS
Solução: Realçar a beleza da arquitetura -- assinada pelo arquiteto Gustavo Gasparoto. Tirei o espelho retangular com moldura escura e colei um espelho redondo, com o diâmetro exato da parede. Para completar, um pequeno aparador de laca branca abriga um cachepô de espelho e dois bowls do mestre das madeiras Pedro Petry.

A porta principal, pivotante, ganhou laca branca, assim como a porta de correr que dá para a sala de estar da casa (Marcenaria Wilson).

Logo que o visitante chega, encontra um jardim, que batizei de "jardim de boas vindas". Nele, plantas que vão bem na sombra e dois grandes vasos azuis vietnamitas chamam atenção.




Entre o Jardim de Boas Vindas e o aparador, existe um outro jardim, este embaixo da escada, que enchi de pedriscos brancos e vasos com plantas para sombra e meia-sombra, como Pata de Elefante, Renda Portuguesa, Bambu (no vaso de vidro) e cactáceas, que recebem o intenso sol da manhã e da tarde. O elefante é para dar sorte. Superstição? Tanto faz, chame do que quiser, é bonito.






Cansada de guardar um saco cheio de moedas de outros países, a dona da casa resolveu dixá-las à mostra. Espalhou pequenos bowls com uma cama de arroz e colocou as moedas em cima. Ficou simpático. São moedas de países por onde o casal já viajou, como Inglaterra, Itália, França, Alemanha, Portugal (antes e depois da União Européia), Estados Unidos e latino américa. A peça desta foto é assinada pelo designer Carlos Alcantarino, feita de estanho.

Detalhe dos bowls de Pedro Petry.



O corredor do hall, que dá acesso ao lavabo, à cozinha e à sala de jantar.

LAVABO
Pequeno e sem grandes fricotes, o lavabo desta casa jundiaiense ganhou vida e elegância com fotos de flores em P&B e muito pouco adereços. Bancada de mármore Pigués (Marmoraria Molina) com frontão alto, de 0,27cm. 
Luminária pendente da Bertolucci.


Adesivo de flor da Gecko dá graça à parede branca.

Fotos: arquivo pessoal da designer


quarta-feira, 2 de maio de 2012

UMA CASA ABERTA PARA O VERDE


Este projeto de design, assinado por mim, foi desenvolvido ao longo dos últimos meses, em uma residência em Jundiaí, São Paulo. As muitas aberturas de vidro tornam boa parte da casa transparente. O que se vê através delas? Jardins, muitos jardins.
Neste blog, vou mostrar a evolução de alguns dos ambientes. Os problemas e as soluções encontradas para cada um deles. Por ser um projeto extenso, vou dividi-lo em oito etapas, sempre no esquema antes e depois: cozinha/sala de jantar, hall de entrada/lavabo, escada, escritório, quarto de hóspedes, quarto do casal, banho do casal e jardins/lazer.
Parte 1 - Cozinha e Sala de Jantar integradas
ANTES


PROBLEMA: As paredes brancas e praticamente nuas da sala de jantar refletiam demais a luz natural, vinda de duas grandes aberturas nas laterais. Chegava a ofuscar os olhos. A mesa de jantar quadrada era muito pequena para o ambiente, além de não favorecer a circulação. O bufê também era pequeno demais para o tamanho da parede e não dava para guardar a louçaria mais fina. Enfim, o ambiente era sem graça e frio.

A cozinha também era sem graça, sem cor e sem aconchego. Piso e azulejos brancos a tornavam fria e impessoal. Banquetas antigas, estilo medieval (couro com tachas) não combinavam com o ambiente, mais puxado para o moderno, além de muito baixas para a altura do balcão. Ou seja, ergonomia zero.

DEPOIS
SOLUÇÃO: Consegui deixar a sala de jantar assim. Desenhei um aparador-bufê de laca branca que toma toda a extensão da parede, de 3,08 metros (feito pela Marcenaria Wilson). Sobre ele, apoiei uma mesa de jantar de dimensões generosas (3 metros de comprimento por 1 metro de largura, toda ela sustentada por oito travas de aço para não empenar). A solução gerou uma mesa de um só pé, liberando espaço para o uso dos armários do bufê.
Revesti a parede do fundo com faixas de peroba de demolição e intercalei dois espelhos instalados mais alto propositadamente - não queria que os comensais se vissem neles (princípios da milenar sabedoria do Feng Shui). Para dar equilíbrio nas proporções, dois abajures altos (Breton) completam a iluminação aconchegante, feita com spots direcionáveis para mini-dicróicas e AR 70, estas direcionadas para os quadros e nas lateriais da parede, e um pendente no meio da mesa. A parede lateral esquerda foi pintada de um tom puxado para o cereja (Suvinil Toque de Seda base branca misturada com R105+30RC+16MM), o que completou o aconchego do ambiente.

Uma peça do mestre das madeiras Pedro Petry faz bonito como centro de mesa.

A mesa serve 6 pessoas com folga e dá para colocar mais duas cadeiras. Quatro delas foram revestidas de shantung de seda off-white estampada com margaridas pretas. Outras duas cadeiras são de veludo preto. O pendente no centro da mesa é da Cetti.


Observe que a parede no tom cereja não pesou no ambiente. Ao contrário, trouxe vida e faz em belo contraponto com os quadros coloridos - uma gravura do mestre italiano radicado em Jundiaí Inos Corradin, que ganhou nova moldura, e um poster emoldurado de Kandinsky, na outra parede.


O bufê oferece praticidade e organização aos cristais dos proprietários desta residência, que detestam bagunça - principalmente a dona.

Talheres não usados no dia a dia ficam em gaveta separada. Destaque para o revestimento igual ao das cadeiras.

Detalhe do apoio da mesa de jantar no aparador-bufê: para não machucar a laca, usei pequenas bolinhas de silicone embaixo da mesa.
Dois cachepôs de espelho harmonizam com o espelho colado na parede de peroba de demolição.

Uma super taça de cristal cor de sangue faz as vezes de cachepô para mini-orquídeas. O arranjo ao lado é um castiçal estilizado bolado por mim. Ao fundo, donzela e uma gravura da Casa Batló, do mestre catalão Gaudí, trazida de Barcelona.


Fruteira de estanho assinada por Carlos Alcantarino e poster reproduzindo uma das obras de Kandinsky, trazido de uma viagem à Inglaterra.

     
O balcão da cozinha, antes de MDF padrão madeira zebrinha, ganhou novo tampo, de peroba de demolição. A mesma madeira foi usada no painel de parede, que se torna uma extensão do tampo. Esse recurso deu unidade ao ambiente e tornou-o mais longilíneo, demarcando a área de cozinha e de sala de jantar.

Relógio gigante que lembra um pouco os que existiam em estações de trem. O charme fica por conta das inscrições em francês e dos números envelhecidos, assim como sua moldura. Não dá para ignorar o tamanho da peça.



O balcão  ganhou a companhia das banquetas Bertóia, por terem visual leve (ao contrário da madeira de demolição). Sua estrutura de aço cromado tem a mesma linguagem dos eletrodomésticos da cozinha e das luminárias pendentes que servem o balcão.

Até quando lava louça a dona desta casa enxerga o verde do frondoso jardim.
Adesivos comprados na Tok&Stok dão graça à parede e tira o excesso de branco dos azulejos lisos.

Para quebrar o branco dos azulejos (veja fotos do "antes"), entrou em cena novamente a peroba de demolição. Desta vez, emoldurando o enorme armário (Celmar) de vidros pretos, que guarda louças e vidraria.


Dei uma "santa ajuda" à proprietária da casa ajudando-a a arrumar a louçaria logo após a construção da casa. Sim, designer de interiores também faz isso. E é prazeiroso, principalmente quando o resultado agrada. A proprietária não tinha forças para mais nada depois do estresse da construção, precisava de ajuda. Aí entrei nessa também.
O ferro retorcido e a madeira de demolição dão um toque ligeiramente caipira a essas prateleiras. A intenção era essa mesma. Vide os pinguins (Tok&Stok) e dos pequenos cachepôs de bolinhas (Silveira Cerâmica).
Embaixo do balcão da cozinha e ao lado do armário, prateleiras abrigam livros, um bowl vermelho (Silveira Cerâmica) e uma panela de barro que o proprietário comprou no Espírito Santo.


Outro toque caipira, este da dona da casa: bule vermelho de ágata comprado na feira, com colheres de pau idem.
                                       
Xodó da proprietária da casa, o biquinho de crochê do bule foi feito pela avó materna, quando ainda viva.

Fotos: arquivo pessoal desta designer