domingo, 20 de maio de 2012

CORES E MUITO VERDE PONTUAM A CAMPINAS DECOR 2012

Neste sábado, 19 de maio, visitei a mostra Campinas Decor, a principal mostra de arquitetura, decoração e paisagismo do interior de São Paulo. Esta 17º edição, foi montada em um lugar para lá de privilegiado, a Fazenda Santa Margarida, localizada no distrito de Jardim Egídeo.

Famosa por abrigar grandes festas da sociedade e juventude campineiras na década de 1990, a fazenda centenária - hoje propriedade de seis empresários -  foi totalmente recuperada pela organização e expositores da mostra.

Em mais de 1 milhão de metros quadrados,  o local abriga 48 ambientes internos e externos. O que vi por lá: muita cor, madeira bruta combinada com laca ou MDF de alto brilho, uso de materiais recicláveis e sustentáveis; e enormes aberturas, o que chamamos de "pele de vidro".

A maioria dos ambientes têm base neutra, mas alguns chamam atenção pela profusão de cores, principalmente as primárias - vermelho, amarelo e azul. Proporcionam alegria só de ver. Porém, a palheta dos brancos, pretos, beges, terrosos e afins continua firme e forte, por ser clássica e atemporal.

SEM "MUVUCA" - Uma das coisas que me chamou a atenção nesta mostra é que, apesar de grandiosa, a visita é tranquila, dá para observar tudo com calma, sem ninguém empurrando você e sem ter que pedir licença para ver o ambiente.

Na minha opinião (que frequento mostras de decoração há pelo menos 20 anos, todos os os anos), já há alguns anos a Campinas Decor vem surpreendendo mais que a Casa Cor São Paulo, que é o maior evento de decoração da América Latina. Talvez justamente por isso, ser a maior da América Latina e juntar num só evento três mostras diferentes (Casa Cor, Casa Hotel e Casa Talento Fashion).

A extensa mostra paulistana ficou tão soberba que desagradou alguns nomes consagrados do mundo da arquitetura, design e paisagismo. Assim, surgiu a Mostra Black, que, aliás, já começou. Nos bastidores da decoração, o evento ganhou o apelido de "Mostra dos Dissidentes da Casa Cor".

"O evento pequeno valoriza o profissional. O meu trabalho não surge como mais um entre uma centena", diz Sig Bergamin, referindo-se à Casa Cor, que, este ano, reúne mais de uma centena de profissionais no Jockey Club de São Paulo, na Cidade Jardim, de 29 de maio até 22 de julho.

"A Casa Cor começou pequena, como a Mostra Black, em uma residência no Morumbi, há 25 anos. Eu estava lá", afirmou Sig Bergamin a uma entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo. Sig não participa da Casa Cor há pelo menos cinco anos. "Depois de entrar em 110 espaços diferentes, o visitante não consegue mais assimilar informação", diz Louis de Charbonnières, um dos organizadores da Black.

REFRESCO - Veja, não quero desmerecer a Casa Cor São Paulo, apenas chamar atenção para uma mostra no interior de São Paulo tão profissional quanto a Casa Cor e que reúne nomes que ainda não estão no panteão do mundo da decoração, mas que são para lá de competentes, criativos, inovadores e surpreendentes. São como um refresco gelado num dia de muito calor. Suas criações são uma lufada de ar fresco, renovado. Dá uma chacoalhada no que estamos acostumados a ver, sempre o mesmo do mesmo.

Exemplo desses talentos: Adriana Bellão, Otto Felix, Mariana Adão e Mariana Oliveira, Fernanda Torres e Priscila Marques, Sueli Cardoso, Daniel Nunes (paisagista), Maxwell Gerardi e Herbert Faustino, Maria Delmanto e Renato Páteo, Raquel Couto e Lourenço Dantas, só para citar alguns.

A seguir, uma extensa e relaxante seleção de fotos mostra um pouco da Campinas Decor 2012. Boa viagem!

Pavilhão de Entrada
As arquitetas e urbanistas Mayra Catherino e Maíra Baldasso projetaram um ambiente moderno que possui forte contraste com elementos rústicos e está integrado à presença impactante da natureza. As cores escuras da estrutura contrastam com a transparência do vidro e dos elementos vibrantes com cores fortes da decoração.

Loft ecológico
A arquiteta Celeste Moraes projetou nesta alameda de 1.000 m² de paisagismo natural um loft ecológico. Feito com madeira de reflorestamento - eucalipto citriodora tratado - a construção do loft surge entre as árvores, interagindo com o meio. A cobertura em piaçava - palha natural - debruça sobre a inclinação do telhado, acompanhando os galhos das árvores.





Luminárias feitas de ferro e coador de café de papel usado.



Espaço Santa Margarida
Os arquitetos Rafaela de Almeida, Marcelo Hobeika e Ana Luísa Pereira Lima harmonizaram tradição e tendências nesete espaço, construído inteiramente em aço corten e madeira, com coberturas plásticas e de vidro. O piso é de cerâmica, que imita madeira de demolição.








Garagem e Lounge
As designers de interiores Dri Filgueiras, Rosangela Succi e Glaucia Ferreira desenvolveram um ambiente contemporâneo, com alguns toques rústicos. O espaço não é apenas uma garagem, é também um local para guardar as recordações das viagens do casal.





Living Contemporâneo
Em sua nona participação na mostra, a arquiteta e designer de interiores Adriana Bellão mantém no Living o estilo contemporâneo característico de seu trabalho, aliado a releitura do clássico, apresentando como resultado um ambiente suntuoso e requintado. Com 62 m² de área, o projeto surpreende com propostas inusitadas, como a instalação de um pergolado de madeira em pleno Living.




Sala de Jantar em tons de branco
A arquiteta Roseana Monteiro e a designer de interiores Vani Mazoni aproveitaram ao máximo o potencial do ambiente de 36 m², que estava bem conservado. Para criar um diferencial, elas optaram pela cor branca, pois a tonalidade da madeira do piso e do forro original foi preservada. Elas exploraram os vários tons de branco em diversos materiais, como a laca, o mármore carrara, a seda, a renda quipure e a moldura dos espelhos.


Copa das crianças: lúdico
A designer de interiores Ana Lucia Castro desenvolveu este ambiente de forma lúdica e colorida para que as crianças tenham vontade de ficar e fazer suas refeições durante as brincadeiras. O mármore está presente nos móveis e na bancada de serviço. Compõem ainda este espaço uma lousa branca, TV e som ambiente. O destaque do projeto é para o uso de isopor nos painéis e o lançamento de piso vinílico.

Cozinha: azulejos de época
A preservação dos azulejos já existentes neste ambiente foi o ponto de partida do projeto assinado pela decoradora Sueli Cardoso. A ideia foi aproveitar e explorar ao máximo o que já existia no local, tornando-o funcional. Por esse motivo, o grande desafio foi buscar materiais que compusessem com o ambiente, aproveitando os azulejos de época.


Lavabo: madeira e modernidade
As jovens designers de interiores Fernanda Torres e Priscilla Marques, estreantes nesta mostra, assinam este projeto em estilo contemporâneo de 3,6 m². Como proposta, as profissionais definiram o projeto buscando modernidade e ousadia.


Hall e banho dos avós modernos
Pensando em criar um espaço prático, clean, moderno com estilo contemporâneo, minimalista e retrô, o arquiteto e urbanista Amauri Fujii projetou este ambiente para um casal de avós modernos que curtem fotografia e adoram viajar.

 Quarto dos avós
Os arquitetos e designers de interiores Ana Paula Barros e Maycon Flamarion assinam este projeto de 19,64 m² de estilo contemporâneo com toques retrô. Para obter um espaço leve e moderno, os profissionais optaram por trabalhar com cores claras e neutras, complementadas com tons cítricos de verde e azul.



Saleta de leitura
A designer de interiores Alessandra Nascimento assina este projeto arrojado, em estilo contemporâneo, de 11,7 m². Uma sala de leitura deve ser confortável e convidativa para provocar o desejo de ler um bom livro. Baseada nesse sentimento, a profissional se inspirou para criar neste ambiente pequeno um lugar apropriado para a leitura.
Hall e banheiro dos netos
A arquiteta e designer de interiores Elisa Garrafa e a paisagista e designer de interiores Solange Vieira Rubim assinam este projeto que tem como destaque a união do clássico com o contemporâneo, resultando em um ambiente equilibrado e harmonioso. A proposta foi criar um espaço multifuncional e lúdico para atender diversas faixas etárias, explorando diferentes formas, cores e texturas.


Saleta íntima do casal
Criar um ambiente acolhedor para o casal. Essa foi a proposta das arquitetas Luciana Hakim e Vanessa Viali ao projetar esta sala. O ponto central é a lareira e o sofá aconchegante, onde o casal pode tomar um vinho e relaxar. Dando continuidade à proposta, elas escolheram tecidos naturais como o linho e almofadas de tricô para o sofá.


Para o casal
A arquiteta e designer de interiores Ana Carolina Fonseca e as designers de interiores Lediane Cardoso Del Bel e Roberta Abdo Lima assinam este projeto que teve a escolha do tecido como o ponto de partida. A partir daí, o trio foi criando um ambiente que combinasse com o estilo do tecido e também da fazenda. O grande destaque do projeto é o tecido usado para revestir as paredes.


Espelhos e luzes no banho do casal
As arquitetas e urbanistas Graça Gargantini e Letícia Junqueira assinam este projeto contemporâneo com toques retrô. No ambiente, as profissionais criaram um espaço com layout completo, mesmo em dimensões reduzidas. O projeto contempla todas as características de um banheiro contemporâneo, mesclando o relaxamento ao luxo, funcionalidade e tecnologia. Detalhe: este ambiente não tem janela. Para resolver o problema, os profissionais criaram um teto rebaixado de cobogós (elementos vazados) e, acima dele, instalaram um sistema de ar condicionado.


Quarto dos meninos
A arquiteta Katia El Badouy projetou este ambiente de estilo clássico, que tem como principal proposta estimular a leitura na criança, criando uma atmosfera de aventura e fábula. A profissional, que já participou de outras dez edições da mostra, ressalta que o destaque do projeto é sua ambientação, com disposição e mobiliário criativos, onde os garotos dormem, lêem, estudam e brincam. As camas são diferentes e lúdicas, como por exemplo, a que fica dentro do armário.
 
Aconchego no quarto do bebê
Neste espaço de 10 m², a arquiteta Aline Facanali faz sua estreia na Campinas Decor. Ela projetou o quarto de bebê em estilo moderno com um toque de clássico, usando muita madeira. O ambiente foi pensado com foco na mãe e na criança de forma bastante funcional. A iluminação foi projetada para dar conforto durante os cuidados com o bebê.


Cinema em casa
O objetivo dos arquitetos Daniele Guardinie Adriano Stancati com este projeto foi criar uma sala de cinema residencial, onde assistir a um bom filme seja uma experiência ainda mais prazerosa. A sala foi totalmente automatizada com equipamentos de última geração e ficou extremamente aconchegante e convidativa. Os cantos arredondados unem as paredes e o forro em um elemento único, revestido com papel de parede levemente emborrachado e fundo dourado.

Sala do carteado
As arquitetas Adriana Belluomini, Inês Scisci Maciel e Ivanilza de Alencar criaram este ambiente de estilo clássico atualizado, no qual predominam o preto e o bege vintage. A proposta foi idealizada para compor um ambiente atemporal e universal, podendo ser reproduzido em qualquer lugar. Foi projetado um ambiente sofisticado, com paredes de vidro que remetem aos cassinos de Las Vegas.

Varanda da contemplação
As designers de interiores Nilza Alves e Rita Diniz assinam o projeto da Varanda da Contemplação. A proposta para este espaço integrado de 100 m² foi criar um ambiente descontraído e colorido para receber os amigos e contemplar os belos jardins da fazenda. As profissionais usaram linho, estamparias em tons de azul e vermelho, madeira de demolição e fibras.

Na mesa de centro, madeira bruta combinada com laca bege.
 

 Um lustre "poderoso" de ferro e vidro.

 Nesta mesa, um detalhe curioso: feita em MDF cru, foi recoberta por pequenos ladrilhos hidráulicos, de estampas variadas. Para dar acabamento, rejunte comum. Boa ideia para recuperar uma mesa antiga.






Wine room intimista
Anderson Leite e Roberta Kassouf, ambos arquitetos, projetaram este ambiente de estilo contemporâneo com toques de clássico e acabamentos aconchegantes e quentes. A proposta foi criar um espaço intimista, mais pensado como um lounge do que um bar e com apelo mais residencial que comercial. O espaço tem uma atmosfera mais festiva, como as party rooms dos anos 70, nas quais as famílias se reuniam para dançar, beber e curtir a casa junto com amigos.


Cabana moderna
O arquiteto e urbanista Otto Felix construiu uma cabana de 160 m² mesclando os estilos rústico e contemporâneo a uma pitada de nostalgia. Na construção predominam a madeira freijó e preto. Do meio das árvores surge a construção inusitada, que se harmoniza ao cenário local. O tom nostálgico foi criado usando linhas retas e grandes aberturas nas composições de pedra e madeira, somadas a uma janela antiga, dentro de chanfros.















Jardim Campinas Decor
Paisagista e arquiteta - e Renato Páteo - paisagista e engenheiro agrônomo - criou um espaço que remete ao lazer com piscina natural, encontrado em resorts, hotéis ou ambientes amplos. Com grandes palmeiras e poucos móveis, o objetivo maior é a contemplação e descanso. Os destaques do ambiente de 1.350 m² são a piscina natural, que lembra uma praia, e os dois grandes bancos com desenho exclusivo dos profissionais.
















Passeio das margaridas
Em sua estreia na Campinas Decor, as paisagistas Ivanise Maldonade e Cris Cecilio procuraram criar um ambiente rústico, porém com um toque contemporâneo. A dupla tirou partido da beleza natural já existente no local e complementou o cenário com uma vegetação comum nas fazendas, mas nem sempre valorizada, como os capins e flores do campo, agrupados em canteiros.









Mirante e piscina
O arquiteto e paisagista Daniel Nunes assina este espaço de 2.800 m², que possui uma grandiosa piscina com 800 m². A proposta contemporânea valorizou o espaço e o transformou em um ponto de encontro e relaxamento. Nesse sentido, foram criados grandes bancos curvos, destaque do ambiente, que se contrapõem às linhas retas da piscina e se harmonizam com a linguagem da marquise modernista localizada no local










Café Decor
A arquiteta Mariana Oliveira e a arquiteta e designer de interiores Mariana Adão tiraram partido de uma marquise bastante antiga e degradada para transformar o lugar num aconchegante café, com o frescor das plantas e flores ao vivo e em almofadas e uma grande tela assinada pela artista plástica Maria Isabel Santos. Note que o mesmo tema da tela está estampado nas almofadas. Paisagismo de Cláudia Casella.





Ponto de encontro
Fernanda Quelhas e Virgínia Albertini, ambas arquitetas, projetaram este ambiente de estilo contemporâneo com um toque vintage, bem colorido, com a intenção de proporcionar alegria e bem estar aos usuários. A proposta era criar um local onde as pessoas gostem de ficar, um ambiente aconchegante e acolhedor, tirando proveito do visual proporcionado pela fazenda e pela área da piscina. Para contribuir com o clima de aconchego, Fernanda e Virgínia usaram para o projeto tecidos, madeira, ferro e cerâmica.

Uma inusitada (ou não?) combinação de água e fogo: o fogo vem de um botijão de gás escondido dentro da fonte.
Terraço da piscina
Ao escolher o Terraço da Piscina, o arquiteto Maxwell Geraldi e o engenheiro civil e restaurador Herbert Faustino idealizaram um ambiente destinado ao uso da família e seus convidados, para que pudessem desfrutar do lazer proporcionado pela natureza e pelas áreas construídas da fazenda. O ambiente de 220 m² - o maior ambiente coberto da mostra -  contempla muita diversão, convívio e ao mesmo tempo relaxamento. E cores, muitas cores combinadas com elementos retrô.















Um descolado loft da diversidade

O arquiteto e designer de interiores Fernando Consoni projetou e construiu esse loft de 144 m2 seguindo a premissa de um ambiente descolado, isento de estilos pré-concebidos, pensado para pessoas de todos os gêneros que valorizam a arte na sua mais livre concepção. Todo o espaço é aberto, sem delimitação espacial, proporcionando amplitude visual.









Jardim da fazenda
O engenheiro agrônomo Alexandre Furcolin optou por imensos vasos em pedestais idem para destacar esse jardim, que tem ainda dois grandes espelhos d'água. 




Praça do convívio
O paisagista Edson Cardoso de Oliveira, o Guga, assina a Praça do Convíveo. Polltronas de madeira estilo provençal (típicos dessa região da França) convivem lado a lado com fontes vietnamitas e elementos rústicos, como o grande lustre pendente de fibra sobre uma pequena mesa. Para se aquecer, os usuários se deliciam com uma lareira contornada por bancos de alvenaria no memo nível do piso.









Espaço gourmet
Assinado pela arquiteta Silvia Cabrino e pela designer de interiores Lucyene Del Alamo, o Espaço Gourmet é um dos ambientes que não serão desfeitos depois do fim da mostra. Ele servirá para encontros e festas, promovidas na fazenda por quem se interessar em alugar o local. A ideia das profissionais foi manter uma certa rusticidade, com paredes de tijolo caiadas, onde se vê um mapa mundi. Armários inteligentes da Florense (tem lâmpadas nas gavetas. Iluminam assim que você abre a gaveta. Um luxo).







Jardim da varanda do restaurante


Um espaço onde predomina a diversidade de materiais, com o poder de surpreender. Assim é o jardim idealizado pelos arquitetos Raquel Couto e Lourenço Dantas. Os Cubos e cilindros iluminados espalhados pelo local é novidade, ainda são protótipos, mas logo serão vendidos em lojas especializadas. São de polietileno e levam uma luz fria por dentro. Confira.





 Jardim dos Guerreiros de Chian, da Loja Ribeiro e Pavani e de autoria da Muzetti Arquitetura, profissionais Leticia Muzetti e Daniel Cruz.


Serviço
Data: de 27 de abril a 17 de junho.

Local: Fazenda Santa Margarida .
Endereço: Rua Rubens Gomes Balsas, 311, distrito de Joaquim Egídio, Campinas - Rodovia Dom Pedro I – Km 122 - Saída 122).


Horários: de terça a sexta-feira, das 14h às 21h (bilheteria fecha às 19h30); sábados, das 12h às 22h (bilheteria fecha às 20h30); domingos e feriados, das 12h às 21h (bilheteria fecha às 19h30).
Valor dos ingressos: R$ 30,00; estudantes e idosos pagam R$ 15,00 e crianças de até 12 anos não pagam.
Passaporte Campinas Decor: R$ 50,00, com visitas ilimitadas.
Informações: (19) 3255-7744.

Fotos: divulgação e arquivo pessoal desta designer.

sábado, 19 de maio de 2012

AMBIENTES INTEGRADOS: PARA
QUEM É BOM?


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Nos últimos 10 ou 12 anos, a bola da vez no mundo da arquitetura e do design de interiores é a integração dos ambientes. Integrar virou palavra-chave, mágica. Lá no início dos anos 1990, essa questão era mais tímida, digamos assim, mas já havia um movimento consistente de que a tal integração não era algo passageiro, que viera para ficar.

Dos anos 2000 para cá, deixou de ser uma tendência para virar quase uma regra: não há quem não sonhe em ter uma cozinha gourmet integrada à sala de jantar ou estar ou os três ambientes num plano só. Há quem vá mais longe ainda: quer o banheiro dentro do quarto, sem nenhuma parede "para atrapalhar" e com tudo o que tem direito: banheira, ofurô, bancada com duas pias, dois chuveiros, duas bacias e por aí vai. Alguém pode me dizer para onde vão os vapores, cheiros, cabelos e outras coisas chatas de falar, mas que são intrínsecas ao funcionamento e à higiene do corpo humano? E a privacidade entre o casal? Eu sou do tipo que não abro mão disso.

Mas, pensando com a parte racional e lógica do cérebro, esse excesso de integração não seria um tanto quanto exótico para uma residência "comum", onde convivem pai, mãe, filho, filha, enteado, avô, avó, gato, cachorro, papagaio...? Jogo essa questão à discussão.

LIMITES - Não que eu seja contra a integração. Muito ao contrário (minha própria cozinha e sala de jantar são assim). Mas acho que há limites a serem preservados. Caso contrário, fica um ambiente de revista ou daqueles que vemos em mostras de decoração. Tudo lindo, mas inviável para o dia a dia.

Lembro que uma colega de classe do IED (Instituto Europeo di Design), a Angela, provocou a maior discussão quando o assunto integração veio à baila. Na época (faz uns dois anos), ela achava inconcebível integrar, por exemplo, cozinha e sala de jantar/estar. Intrigados, perguntamos por quê, já que integração já era a cereja do bolo da maioria dos projetos de designers de interiores no Brasil e no mundo e 99,9% dos clientes desejavam.

Sua argumentação foi bem plausível. Na casa dela - um belo apartamento de um por andar no tradicional bairro de Higienópolis, na capital paulista - as conversas são dão ao redor da mesa, não necessariamente da cozinha. Quando ela tem assuntos privados a tratar com o marido e os filhos (isso acontece todos os dias), não quer a diarista por perto. E a moça fica lá, servindo a mesa, lavando louça, preparando os pratos, seja no café da manhã, no almoço ou no jantar.

"Há coisas que dizem respeito apenas à minha família", disse Angela, uma engenheira civil paulistana. Por isso, na casa dela, mesmo depois de uma grande e longa reforma que ela encarou sozinha, a cozinha (e a copa) continua nos moldes tradicionais, fechada com paredes de alvenaria e com a bagunça distante dos olhos da família e das visitas. Aliás, ela também acha imprescindível acomodações para a diarista, que dorme no emprego - coisa que, hoje, nem todas as famílias desejam.

O caso de Angela não é isolado. Outras pessoas têm raciocínio semelhante ao dela. Mas, o fato é que não dá para ignorar especialistas e pesquisas feitas por institutos conceituados no mundo inteiro (como os portais de tendências WGSN e HBL), que mostram que o jeito de morar do brasileiro mudou. E muito.

PLANEJAMENTO - Se não dá para negociar ou fugir dessa realidade - que eu aprovo -, o jeito é encarar o processo com bom humor e uma boa dose de planejamento. É essencial que móveis e eletrodomesticos sejam bem bacanas, lindos, já que ficarão expostos a todos.

Uma coifa potente é imprescindível para que o cheiro do preparo dos alimentos não invada todo o resto da moradia. Outra coisa legal, quando o layout permite, é ter aberturas generosas, seja em janelas ou portas de correr de vidro (se der para um jardim, tanto melhor).

O uso de elementos têxteis, como aquele lustre pendente maravilhoso e exclusivo que você amou deve ser evitado. Se você não abrir mão dele, pense em como vai mantê-lo limpo e protegido da absorção da fumaça, da gordura, do pó. Materiais fáceis de limpar facilitam a vida.

Se você (e sua família) não é do tipo organizada, opte pela instalação de uma porta de correr de vidro, que pode ser adesivada ou serigrafada com desenho personalizado. É uma opção interessante quando o projeto permite e evita situações desagradáveis, como receber uma visita de surpreza justo quando a cozinha está aquela bagunça. Nesse caso, é só puxar a porta e isolar o cômodo.

Enfim, projetos integrados devem ser práticos e belos. Quando o espaço para isso é generoso, as probabilidades de um layout ainda mais belo e confortável são maiores.

Veja a seguir uma sequência de fotos que selecionei sobre ambientes integrados e adapte-os - ou os copie - na sua moradia. No mais, seja feliz com sua casa!