quarta-feira, 9 de maio de 2012


QUANTO CUSTA CONTRATAR UM DESIGNER DE INTERIORES?



Atire a primeira pedra quem não tem para si que um designer de interiores custa caro. As pessoas vivem me perguntando: "mas, o seu trabalho custa caro, não?" Minha resposta: depende do que você acha caro. Muitas vezes, a sabedoria popular que diz que o barato sai caro é perfeitamente aplicável ao mundo da decoração.

Conheço inúmeras pessoas que compraram um sofá "ma-ra-vi-lho-so", cheio de estilo e coisa e tal. Quando chegou, não cabia no espaço disponível. Ou a cor era berrante/apagada demais, ou simplesmente não tinha nada a ver nem com a sala nem com quem ia usar o sofá. Nesse caso, um profissional que entenda do riscado acaba saindo bem mais barato, porque evita dores de cabeça e o resultado é sempre mais bem adequado às necessidades e aos anseios dos donos da residência.

A mesma coisa se aplica a cores. Tem gente que tem pavor de arriscar uma cor mais forte, diferente por achar que vai ficar "brega", escurecer o ambiente ou coisas assim. Ergonomia também é um item para lá de importante e que normalmente as pessoas a relegam ou nem lembram que é preciso deixar um espaço determinado para uma boa fluidez do andar, sentar etc. Idem para iluminação (natural e artificial) e harmonização de ambientes.

É bom que se esclareça: um bom designer é aquele que sabe adaptar-se ao morador: entrevista-o, estuda seus hábitos, necessidades e anseios; ajusta-se a seu orçamento, mas tem o próprio estilo.

"Costumo dizer ao cliente: a casa é sua, não minha", afirma o designer João Armentano. "Mas ninguém vai a um decorador para impor suas vontades. Há um diálogo. Quem contrataria uma vaca de presépio?"

QUANTO MAIOR, MENOR O CUSTO - O investimento depende da área a decorar. No Estado de São Paulo, o metro quadrado, em um apartamento pequeno (de 100 m2), não sai por menos de 65 reais. Um profissional reputado pode chegar a cobrar 500 reais por metro – mas esse preço cai à medida que aumenta a área da residência. O valor também varia de acordo com o tipo de serviço oferecido – que pode ir de uma simples redistribuição dos móveis na casa até um projeto completo, da iluminação à escolha dos móveis e revestimentos.

Em Jundiaí, os preços variam, Há quem cobre 10 reais o metro quadrado, caso o trabalho a ser feito seja muito simples. Na média, eu diria que hoje está entre 50 reais e 80 reais o metro quadrado. Há profissionais, porém, que cobram por projeto e não por metro quadrado. Na verdade, tudo depende do projeto, de sua complexidade, de seu tamanho. Se você quiser que o designer faça as compras e/ou gerencie a obra, o custo será um pouco maior. Se o profissional não for da cidade onde você mora, também há que se computar os custos de deslocamento.

O QUE DIZ A ABD - Segundo a Associação Brasileira de Designers de Interiores (ABD), órgão que regulamenta a profissão, esses profissionais são remunerados, basicamente, pela elaboração do projeto e pela administração da obra.

Para calcular os valores da remuneração para a criação do projeto, que envolve estudo preliminar, anteprojeto e projeto executivo, toma-se como base o tamanho da obra em metros quadrados, o tipo de projeto (residencial, comercial e seus segmentos) e a quantidade de desenhos, estabelecendo-se um valor em reais pela metragem correspondente.

Já a Taxa de Administração de obra é calculada aplicando-se um percentual que varia de10% a 15%, aplicados sobre o valor de todos os produtos e serviços gastos para a sua realização.

Outras modalidades de remuneração são: a consulta cobrada por hora técnica e a visita à obra, também calculada por hora.

RESERVA TÉCNICA - Alguns designers de interiores adotam como prática o recebimento de fornecedores uma remuneração denominada Reserva Técnica (RT) pela especificação de seus produtos e serviços. Essa prática é aprovada pela ABD, mas deve acontecer sob rígidas condições éticas e não implicar em qualquer prejuízo de ordem técnica ou econômica para o cliente.

DICAS DE DECORADORES
João Armentano, designer - O preço de um decorador depende do tamanho da “obra”. “Pasme: uma obra menor muitas vezes fica tão ou mais cara do que uma maior, pois o valor por metro quadrado vai diminuindo”, afirma. Exemplo: uma obra entre 80 e 100 metros quadrados deve custar aproximadamente 500 reais o metro quadrado, totalizando até 50 mil reais. Já em uma maior, de 600 metros quadrados, multiplica-se o preço por um valor menor por metro quadrado, algo entre 200 e 300 reais.

O decorador, além de orientar com uma boa solução arquitetônica, apresenta todos os materiais existentes no mercado (todos, do ideal ao não aconselhável), seus custos e benefícios. “Recomenda e, o mais grave, muitas vezes até assume a responsabilidade pelo produto.”

Para escolher um decorador, o melhor é recorrer a revistas especializadas, mostras (como a Casa Cor) ou a uma indicação. “Ao se identificar com a casa de um amigo ou famliar, pergunte quem a fez e como foi o processo. Essa é a melhor forma.”

Rosa May Sampaio, designer - O quanto se gasta depende muito do que será feito, se haverá obra, se vai só decorar ou não. “Só para decorar, depende do material. Deve sair R$ 1 000 do projeto, mais o material.” Segundo ela, estão sendo muito usados fibras naturais, algodão, linhos, cores mais claras misturadas com outras, mais fortes.

O decorador conversa com o cliente, vê a disponibilidade, quanto ele pode (e quer) gastar, que tipo de vida leva (se fica mais sozinho, se gosta de receber pessoas em casa). “Quando recebe, é preciso dar mais atenção à sala. Quem quer ficar mais em casa, coloca TV. O certo é o decorador seguir o que você quer, dando dicas sobre o que há de novo no mercado”, afirma.

Para escolher um estilo, o ideal é observar trabalhos em revistas, em sites, fazer uma análise de seu próprio estilo. “É importante o contato pessoal com o decorador, para ver se é uma pessoa que não vai fazer imposições de tudo.” Segundo ela, os valores variam muito porque é possível chegar a soluções charmosas mais baratas, mas também usar fartamente tecidos importados.

Antonio Carlos Gouveia Jr., editor do Decor Year Book - Os honorários de um decorador não têm custo definido. Depende de dados como:
1) projeto com custo por metro quadrado;
2) percentual definido entre as partes sobre os gastos gerais da obra e projeto executado; 3) negociação geral entre as partes.
Dica: negocie tudo antes e faça um contrato (é bom para as duas partes).

Em geral o designer de interiores faz o projeto, escolhe, garimpa, compra, acompanha o cliente em todas as lojas e fábricas, até decisões como toalhas de banho, roupas de cama e mesa, copos, pratos, cores de paredes aos tipos de objetos que devem estar em sua mesa como decoração.

 O bom designer deve estar preparado para o que o cliente quer. "O importante é definir o seu estilo e sempre pensar que tendência você gosta e o que lhe faz bem", diz. A escolha pode ser feita em livros de decoradores, como o Decor Year Book Brasil, mostras de decoração que acontecem em várias cidades do país durante todo o ano e revistas especializadas.

TABELA DE HONORÁRIOS - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DESIGNERS DE INTERIORES

Como Utilizar a Tabela: A remuneração do Profissional Arquiteto de Interiores e Decorador pode ser estabelecida a partir de quatro diferente condições, utilizadas de forma individual ou combinada.

1. Remuneração por projeto;
2. Consulta
3. Hora Técnica
4. Administração da Obra.

A ABD definiu como conceito para esta Tabela uma faixa mínima de honorários. Isso representa que o mercado permitirá a prática de honorários acima da Tabela ABD, considerando-se a posição de cada Profissional prestador do serviço.

Com a Tabela de Honorários, a ABD espera oferecer a Profissionais e Consumidores um parâmetro para negociação de preços. Essa Tabela será revista periodicamente.

Em caso de dúvida, consulte a ABD – Associação Brasileira de Designers de Interiores (www.abd.org.br).

HONORÁRIOS POR PROJETO (COMPLETO) - VALOR
MÉDIO (R$) COBRADO POR M2 
 
ESTADOS
DE 10 a 59m
De 60 a 99m
De 100 a 300m
De 301 a 500m
De 501 a 700m
De 701 a 999m
Acima de 1000m
SP
76
71
65
61
59
55
52
RJ
86
80
75
72
70
70
66
ES, MG
68
59
49
42
37
35
32
AL, AM, BA, CE, PB, PE, PI, RN, RO, SE, PA, TO, AP, AC, MA, RR
70
68
59
51
45
41
37
DF, GO, MT, MS
62
60
56
52
51
49
49
PR, RS, SC
76
74
69
62
60
59
56


PROJETO

ESTUDO PRELIMINAR
ANTEPROJETO
PRÉ-EXECUTIVO
EXECUTIVO
FASE
Fase de concepção do Projeto
Fase de concretização das ideias
Fase de justaposição
Fase de detalhamento
O QUE ENGLOBA
Representação gráfica do conjunto das necessidades do cliente e do espaço
Croquis e esboços da concepção
Proposta de prestação de serviço
Definição do partido e ajustes
Coordenação de projetos complementares e definições técnicas (projetos de hidráulica, elétrica, iluminação, acústica etc., com profissionais especializados).
Definições dos detalhes construtivos;
Acabamentos, revestimentos, mobiliário, objetos etc.
DOCUMENTAÇÃO
Estimativa de custos (orçamento estimado);
Estimativa de prazos do projeto (cronograma estimado do projeto).
Documentação gráfica em escala e tecnologias construtivas;
Aprovação/aceite do cliente.
Documentação gráfica com definições finais.
Conclusão do projeto com documentação gráfica para o início da obra;
Orçamentos finais e Memoriais Descritivos.
100%
OBS: O valor de 100% sobre o Projeto Completo poderá ser dividido em percentuais nas diferentes Fases, de acordo com as necessidades profissionais.

ALTERNATIVAS DE REMUNERAÇÃO
Consulta: Quando o cliente solicita uma orientação profissional.
De R$ 125,00 a R$ 250,00 – correspondente a uma consulta de até 3 horas.
Hora técnica: Para serviços específicos e não contemplados no Projeto.
De R$ 94,00 a R$ 125,00/hora.
Acompanhamento de obra: Honorários calculados a partir de um porcentual sobre o custo total da obra.
De 10% a 15% do custo estimado, com negociação em função da complexidade da obra.

7 comentários:

Anônimo disse...

Muito esclarecedor! É sempre ver uma tabela para para não ficar com preços incompativeis com a classe.

Michele Cruz disse...

As informações me ajudaram muito, pois estou iniciando na área. Obrigada! Michele Cruz

jefferson rodrigues disse...

Gostei me ajudou muito

jefferson rodrigues disse...

Esta postagem foi a melhor que vi durante minha busca por alternativas de orçamento.

Sou estudante de designer.
fui procurado pelo senhor YAMO KIKO para decorar uma casa na Granja Julieta.
Dia:15/12/2012

O cliente falou que já tinha ouvido falar de min (NÃO SEI COMO NÃO SOU FAMOSO)E eu falei que sou estudante de designer de interiores.

YAMO KIKO:Melhor ainda sei que vou ajudar uma pessoa a realizar um sonho em que poucos não capazes, só não faz bestera. Argumentou o cliente.

Estou correndo atrás para ver o quanto cobrar em uma obra de 221 m2

A OBRA(cor a ser usada/móveis planejados /tacos pisos / Mármores e Decoração)

Se puder pelo menos dar um palpite agradeço.
Lembrando que tenho 17 ANOS.

lucia disse...

Adorei as informações, super válidas e esclarecedoras. Realmente, a gente deixa de contratar um decorador achando que os honorários desse profissional serão um absuuuurdo de caro e não é bem assim. Estou no meu 2º apto.e já me arrependi de não ter contratado um arquiteto, não me dei conta de várias coisas que poderia ter feito. Agora, para dar uma "repaginada" estou em contato com uma arquiteta. Vi vários aptos decorados por ela, tudo lindo, moderno, práatico, "usável". Lucia

Anônimo disse...

Eu acho mais correto o Designer de interiores se tratado como Designer de Ambientes não como simples decorador,pois está apto a elaborar projetos nos padrões dos de um Designer de Interiores, porém, este não está preso aos limites internos podendo atuar em paisagismo e light design de áreas externas, concepção de praças, clubes e parques,interior de automóveis e barcos. No entanto, sua atuação nas áreas que tenham elementos estruturais, que são aqueles que realmente podem colocar em risco a vida do usuário, assim como a de um Designer de Interiores mantém-se, apenas como formalidade e segurança técnica, sob a supervisão/acompanhamento de um engenheiro estrutural.

Diego Santos disse...

Essa tabela da ABD está desatualizadíssima. Designer de interiores é um, decorador é outro, no passo não tinha muita distinção, agora tem.

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